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Archive for janeiro \16\UTC 2010

A máquina do tempo

Manhã de sábado com chuva fina em Macondo. Ouço baixinho Marina Lima (nos bons tempos) cantando “sei que ela terminou, o que eu não comecei…” e, como sempre, viajo no tempo. Minha vida foi sempre assim, desde menino. Tenho a estranha sensação de visitar outras eras, vezemquando. Voltar à cozinha vermelha da minha infância, às muitas salas de aulas que frequentei, ao medo do escuro no meu lindo quarto de dormir com imagens nas paredes (minha mãe fez um belo trabalho naquele quarto, cheio de referências). E isso de alguma forma me justifica. Penso no pavor que eu tenho de perder a  memória. Esquecer certos movimentos e, mais que tudo, certos cheiros. Tenho uma memória olfativa (é assim que se escreve?) impressionante… hoje fico com esse cheiro de chuva evaporando no cimento quente… fico alimentando essa criatura ancestral que descansa em mim e que, quase sempre, mantém meus olhos abertos.

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O encanto dos 50…

Sempre me relacionei com pessoas mais jovens que eu e não se trata de preferência. As coisas aconteceram assim na minha vida amorosa e ponto. Mas hoje me deparei com a sedução dos 50 anos. Além de madura por fora, com algumas rugas e um certo ar superior (de quem sabe das coisas sem fazer muita força), tal sedução te pega pela mão com a segurança de quem já percorreu boa parte da estrada. Não fiquei em crise com 20, 30 ou 40…  me pergunto se vou ficar daqui a alguns anos, aos 50. Acho que não. Pela prova que tive pela manhã, um intenso olho no olho e uma vontade louca de esticar o papo, quero estar pronto para também seduzir e revelar minha cota de experiência nesse mundo… assim espero!

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Não basta só amar…

As coisas mudam. Muitas vezes você alimenta a fantasia (geralmente com belas imagens em technicolor), convive anos e anos com ela e depois vê que já não importa mais. Ela se torna gasta, parte do que é reconhecível em você (que sonha sempre com o inusitado). E quando as fantasias se reduzem às pessoas, aos nossos objetos de desejo? Me sinto cada vez mais à vontade com a realidade. Por isso tenho apostado tanto no presente. Maturidade? Prefiro ver como mudança dos ventos… o fato é que meu personagem anda cada vez mais dependente da solidão. E ai de quem achar que isso é o fim de quem ama…

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Sobre os finais…

Amigo querido,

ainda não consegui chorar sua morte. Talvez porque não tenha entendido que ela aconteceu. Talvez porque não aprendi a lidar com os finais. Lembro que sempre te dizia isso: sou imaturo pra dor. A passagem do tempo ainda não me deu as chaves para abrir certos cantos escuros que ainda me travam o peito. Uma morte como a sua sempre traz aquelas reflexões urgentes que culminam com: -eu sou feliz? E quando acontece numa virada de ano, a dor pessoal ganha outros tons, estimulando tantas fragilidades.

Você não chegou a conhecer esse espaço. Mas foi tão presente no outro, que a carta de hoje para você tem todo o sentido. E é isso o que nos resta: tentar fazer com que nossa permanência nesse mundo tenha, de fato, sentido!

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